Segunda onda da pandemia afeta volume de M&As no Brasil

Apesar da piora, perspectivas para operações em 2021 continuam positivas

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Pesquisa da consultoria KPMG mostrou uma desaceleração expressiva da quantidade de operações de fusão e aquisição (M&A) no Brasil nos últimos três meses de 2020. De acordo com o levantamento, houve uma queda de 27,5% nessas transações na comparação com o último trimestre de 2019.

Um dos fatores que ajudam a explicar esse resultado é a piora quadro da pandemia a partir de novembro. Mesmo com a chegada das vacinas, uma nova onda de casos em várias partes do mundo, simultânea ao aparecimento de variantes do novo coronavírus que ainda precisam ser mais bem estudadas, inibiu temporariamente o ímpeto das operações de M&A.

Na avaliação de Paula Chaves, sócia do Coimbra & Chaves Advogados, o agravamento da situação sanitária, a imposição de medidas restritivas à circulação de bens e pessoas e a interrupção de determinadas cadeias produtivas interferem diretamente nas operações de M&A. “Além do impacto no faturamento e nas perspectivas de rentabilidade, a pandemia altera toda a dinâmica das operações, inviabilizando, por exemplo, reuniões e visitas presenciais”, comenta.

Apesar de a situação sanitária ter se agravado a partir de dezembro, Chaves observa que permanece a confiança na retomada e no crescimento das operações de M&A ao longo de 2021. “Assim como a maioria dos setores da economia, as fusões e aquisições tiveram que se adaptar rapidamente à nova realidade imposta pela pandemia, de modo que o impacto inicial e a noção de imprevisibilidade que verificamos em 2020 não deve se repetir”, acrescenta.

A seguir, a advogada aborda outras perspectivas para M&A neste ano.


Em que medida o agravamento da situação sanitária prejudica as operações de M&A? Ou se trata, na sua avaliação, de uma circunstância temporária?

O agravamento da situação sanitária, a imposição de medidas restritivas à circulação de bens e pessoas e a interrupção de determinadas cadeias produtivas interferem, diretamente, nas operações de M&A. Além do impacto nos negócios, no faturamento e na perspectiva de rentabilidade futura das empresas envolvidas, tanto do lado do comprador quanto do vendedor, a pandemia alterou toda a dinâmica das operações, inviabilizando, por exemplo, reuniões e visitas presenciais.

Apesar de estarmos falando de um evento temporário, acreditamos que algumas dessas adaptações, principalmente as de cunho tecnológico, que facilitaram a interação e a disponibilização de informações entre as partes envolvidas, vieram para ficar e serão incorporadas à forma de se trabalhar em operações de M&A.


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Existe a expectativa de retomada dos M&As ao longo de 2021? Do que dependeria essa evolução?

Estamos confiantes com a retomada e o crescimento das operações de M&A ao longo de 2021. Assim como a maioria dos setores da economia, as fusões e aquisições tiveram que se adaptar rapidamente à nova realidade imposta pela pandemia, de modo que o impacto inicial e a noção de imprevisibilidade que verificamos em 2020 não deve se repetir.

Ainda assim, a evolução dos M&As dependerá da trajetória de recuperação e estabilidade da economia após a retração causada pela pandemia e da capacidade do Estado brasileiro de manter a inflação sob controle e de avançar com a agenda de reformas almejada pelo mercado.


Apesar da queda da quantidade de operações na comparação com o ano anterior, 2020 teve o segundo melhor resultado da série histórica da pesquisa da KPMG. Na sua opinião, esse desempenho surpreendeu?

Iniciamos o ano de 2020 com grandes expectativas para operações de M&A, com grupos empresariais capitalizados e com o objetivo de viabilizar novos negócios ou promover a consolidação de determinados mercados. O que vimos foi uma desaceleração imediata com a pandemia, já que ninguém sabia o que viria pela frente. À medida em que a situação foi se tornando mais clara, ainda que inegavelmente grave, sob o ponto de vista da saúde pública, percebeu-se que as operações poderiam ser retomadas, devidamente adaptadas à nova realidade apresentada pela propagação da covid-19. Não fosse a pandemia, o resultado de 2020 poderia facilmente ter superado o de 2019. Mas ainda assim, o balanço de 2020 foi positivo.


Quais seriam os setores proeminentes nas operações de M&A esperadas para 2021?

Esperamos uma grande movimentação nos setores de agronegócio, educação, tecnologia da informação e saúde. Especificamente com relação a este último, as recentes operações envolvendo empresas do setor na bolsa, como a abertura de capital da Rede D’Or, e que resultaram na entrada de novos recursos no caixa de grandes grupos, certamente contribuirão para o crescimento de operações de M&A na área da saúde.

 

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