Ofertas de ações devem esfriar em 2022

Após um ano muito positivo, expectativa é de redução da atividade

0

Apesar de toda a turbulência de 2021 — preocupações com os rumos da economia, flexibilização do teto de gastos, agravamento da pandemia de covid-19 em meados do fim do ano, inflação e juros em alta —, as empresas brasileiras buscaram mais o mercado acionário para financiar as suas atividades. Em termos de volume de recursos captado na bolsa de valores, 2021 foi o melhor ano desde 2010.

Há doze anos, as ofertas de ações (iniciais e subsequentes) movimentaram 149,2 bilhões de reais. Em 2021, esse montante atingiu 130,5 bilhões de reais, sendo que a maior parte dos recursos foram levantados para a realização de investimentos. As ofertas primárias responderam por cerca de 90 bilhões de reais e as secundárias (nas quais não há emissão de novas ações), por 40,5 bilhões de reais. Os dados são da B3.

O ano de 2021 foi particularmente positivo para os IPOs: 46 companhias estrearam na bolsa. Já as ofertas subsequentes foram protagonizadas por 26 empresas. Os volumes captados em cada uma dessas modalidades ficaram próximos: 65,6 bilhões de reais em follow-ons e 64,8 bilhões em IPOs. 

A taxa de juros baixa foi a grande responsável pelo avanço do mercado de ações. Em 2019, ano em que a Selic começou a cair com mais intensidade, o volume financeiro das ofertas de ações alcançou 89,6 bilhões de reais. Em 2020, subiu para 117,8 bilhões de reais. Em março de 2021, entretanto, os juros começaram a ser elevados pelo Banco Central, e a tendência é que subam ainda mais neste ano. Por causa disso, a expectativa de profissionais do mercado, conforme noticiado pelo Valor Econômico, é que 2022 não repita o desempenho de 2021 — na visão deles, as ofertas de ações devem movimentar até 100 bilhões de reais. 

Além disso, a expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos e o processo eleitoral no Brasil tendem a aumentar as taxas de desconto utilizadas para precificar as ações, o que reduz o valor dos papéis e diminui o interesse das empresas em captar recursos na bolsa de valores. Ao mesmo tempo, esse panorama torna a renda fixa mais atrativa para o investidor do que o investimento em ações.

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.