2020 entra na lista de anos com grandes ondas de IPOs na bolsa brasileira

Mesmo antes do encerramento do exercício, novas listagens se aproximam do boom de 2006

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Apesar de a pandemia ter provocado enormes perdas para a economia, decorrentes da necessidade de isolamento social, a circunstância inédita não afetou o apetite das empresas pelo mercado de capitais — até por terem sido impelidas a diversificar suas fontes de financiamento. Na ponta oposta, investidores igualmente se mostraram dispostos a financiar os negócios por meio da aquisição de ações em ofertas públicas, mesmo diante das incertezas causadas pela disseminação da covid-19. Esse quadro ficou evidente em recente levantamento divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) durante um congresso do setor.

A captação de recursos pelas empresas via ações atingiu 101 bilhões de reais (dados atualizados até meados de novembro), volume que supera em 11,4 bilhões de reais o total levantado pelas companhias ao longo de todo o ano de 2019. De acordo com dados da Anbima, de janeiro a novembro foram feitas na B3 46 emissões de ações — 25 IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) e 21 (follow-ons, operações subsequentes de vendas de ações no mercado por empresas já listadas).

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O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou no Congresso da Anbima que os números absolutos podem até ser modestos, mas eles ganham relevância se colocados em perspectiva. Afinal, segundo ele, a média anual de IPOs na B3 entre 2011 e 2019 foi de apenas cinco operações. Os volumes superlativos de 2020 colocam este ano no mesmo patamar de 2010, período em que a economia brasileira ia de vento em popa, descontando-se a megacapitalização da Petrobras naquele período, que movimentou 120 bilhões de reais.

Considerando a possibilidade de serem fechadas novas operações ainda neste mês de dezembro, a expectativa é de que 2020 supere ou se iguale a 2006 — ano marcado pelo boom anterior de aberturas de capital no Brasil. De acordo com o diretor de relações com investidores da B3, Felipe Paiva, as operações deste ano acrescentaram 90 bilhões de reais em valor de mercado à bolsa brasileira. O avanço dos IPOs aconteceu simultaneamente à expansão da base de investidores de varejo na B3. A quantidade de pessoas físicas cadastradas para operar saiu de 1,7 milhão no fim de 2019 para 3,14 milhões neste encerramento de 2020. Esse público investidor ficou com 70% dos IPOs e follow-ons até outubro, segundo a Anbima, tomando o protagonismo que tradicionalmente era dos estrangeiros.

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